Já faz muito tempo que carrego a máxima de que ouvidos atentos nos dá a oportunidade de viver acontecimentos que não presenciamos.
No “causo” que passo a contar aprendi coisas como a profissão do “comissário” e a fenomenal “Jazzificação” de uma fanfarra de carnaval.
Até algumas décadas atrás, era uma figura certa em praticamente toda cidade do interior. Como o deslocamento às metrópoles levava muito tempo ( a comunicação também era dificultosa – era comum esperar horas para conseguir um telefonema interurbano), e os serviços de logística e transporte (os serviços de encomenda expressa não existiam) eram escassos ou inexistentes, haviam pessoas que faziam de sua profissão a constante ida e vinda aos grandes centros, afim de atender aos pedidos de encomenda daqueles que necessitassem de algum item específico. Era cobrada então uma comissão sobre o valor da encomenda, a título de remuneração pelos serviços do comissário.
A gama de produtos variava desde itens supérfluos, como estetoscópios e outros equipamentos médicos, até aqueles de primeira necessidade social, que poderíamos, como a título de exemplo, citar os livros de Direito.
Esse contexto, aliado à uma política de importação extremamente restritiva, discos e instrumentos musicais eram consideradas preciosidades até mesma nas grandes cidade ( hoje é possível adquirir uma Gibson Modelo Les Paul ou uma Fender Stratocaster pela internet, e caso os Correios estejam de bom humor, no dia seguinte ela está na sua casa).
Foram nessas circunstâncias que uma fanfarra de carnaval do interior de Minas Gerais agregou na sua bateria elementos do Jazz (mais especificamente do Bebop, estilo mais ágil e frenético).
Segundo os relatos que ouvi, um entusiasta mais abastado possuía uma notável coleção de discos de Jazz, que naturalmente, propiciava a muitos outros o conhecimento da arte de gênios como Charlie Parker e Dizzie Gillepsie.
Uma vez relativamente difundida entre um grupo de amigos que compunham a “direção musical” daquela bateria de carnaval – ou fanfarra, como ainda preferem alguns – entre eles incluído um baterista de uma banda de “iê iê iê”, Beatles e afins ( o Pop da época), não tardou para que algumas mentes musicalmente mais engenhosas captassem determinados arranjos, padrões e fraseados magistralmente criados e executados pelos grandes bateristas do Bebop da época e as transportassem para uma bateria escola de samba, enriquecendo seu ritmo, tempo e variações.
Como me senti miserável ao imaginar que meu carnavais nunca foram e nunca seriam assim: numa cidadezinha de interior , de rua de pé-de-moleque, com um prato, um bumbo, tarol ou coisa que o valha na mão e muita cachaça na cabeça, ao som daquela massa sonora contagiante, e temperada por “pitadas” de Jazz.
Na descreveria melhor essa minha nostalgia imaginária do que as palavras do grande Rui Barbosa: “Eu tenho saudade do que não vivi. Tenho saudade de lugares onde não fui e de pessoas que não conheci. Tenho saudade de uma época que não vivenciei, lembranças de um tempo que mesmo sem fazer parte do meu passado, marcou presença e deixou legado. (…).”
Em tempo: no último carnaval, foi tanto funk, tanto “créu”, que fui obrigado a bater em retirada para o meu exílio na Avenida Rio Branco (nota do autor: não se trata da famosa avenida no centro do Rio, mas sim da um pouco menos conhecida avenida Rio Branco, principal via de Juiz de Fora) na segunda-feira, tamanha a meloncolia que me assolou.
Ciente de que o texto ficou provavelmente cansativo e confuso, deixo os meus amigos com o vídeo abaixo, a “Jazzificação” de uma música da Rihanna (eu acho” operada por Jamie Cullum.
Obs.: A referência ao item supérfluo foi apenas uma de minhas criativas e de inteligência incomum piadas, ou “practical Jokes”, pra quem assisti (Bazinga) rsrsrsrs Só pra provocar os meu amigos de blog, praticamente uma junta médica.
Obs2: Notei uma tendência nesse blog da preferência pelo cool jazz, pelo meu conhecimento secular do gosto musical do lesado, e pela fixação da matraca pelo Chet Baker (tá, o cara era bonitão mesmo, fazer o quê né). Além de tentar ilustrar um pouco a possibilidade dessa mistura de bateria de escola de samba com um baterista de jazz, esse é o motivo do segundo vídeo.
aí eu canto uma letra de samba carioca: " sonhar não custa nada, se esse seu sonho é tão real...."
ResponderExcluirPois é, samba sem Rio de Janeiro não dá né...O único lugar que existe isso é no meu post rsrs
ResponderExcluirEu prefiro a fanfarra do Tatão no 7 de setembro... (do fundo do baú...)
ResponderExcluirPuutz..aquilo era ruim de doer o ouvido...
ResponderExcluirMe lembrar daquilo uma hora dessas...hoje à noite o pesadelo é uma certeza.
Eles só tinham uma batida rsrsrsrsr
era três rajadas de tarol seguida de duas batidas no bumbo kkkkkkkkk
Só pra constar, o nome daquilo era "Grupo treme terra."
OBS : O apelido do sujeito não era tatão, era tantão...
ResponderExcluirIsso não importa, ele mudou lá de Ubá... Tá em Hollywood agora regendo a Lord of The Ring's Orc's Orchestra
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